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Crédito à habitação volta a encarecer em abril

05 Jun 2026

Direito Imobiliário Direito Bancário
Em abril, as condições de financiamento ao consumo e à habitação continuaram a revelar uma tendência de agravamento. De acordo com os dados divulgados pelo Banco de Portugal, a taxa de juro média dos novos contratos de crédito à habitação subiu 0,05 pontos percentuais, fixando-se em 2,86%, valor que corresponde ao nível mais elevado desde julho de 2025.

Paralelamente, a prestação média mensal do stock de empréstimos à habitação aumentou pelo oitavo mês consecutivo, situando-se em 428 euros, mais três euros do que no mês anterior. Este comportamento confirma uma evolução gradual de subida no encargo mensal suportado pelas famílias com crédito habitação.

A maioria dos novos contratos celebrados em abril foi contratada a taxa mista, representando 85% do total. Neste segmento, a taxa média aumentou 0,03 pontos percentuais, para 2,74%. Já nos contratos a taxa variável, a subida foi mais expressiva, ascendendo 0,14 pontos percentuais, para 2,96%.

No contexto da área do euro, a taxa média das novas operações de crédito à habitação aumentou 0,08 pontos percentuais, para 3,43%. Ainda assim, Portugal manteve a quarta taxa mais baixa entre os países da Zona Euro, o que evidencia uma posição relativamente mais favorável no comparativo europeu, apesar da tendência de agravamento.

No crédito ao consumo, a taxa de juro média das novas operações subiu de forma mais acentuada, atingindo 8,98%, mais 0,21 pontos percentuais do que em março. Em simultâneo, o volume de novos contratos de crédito ao consumo diminuiu 78 milhões de euros, totalizando 657 milhões de euros.

No conjunto das operações de crédito aos particulares, incluindo habitação, consumo e outras finalidades, registou-se uma diminuição de 473 milhões de euros face ao mês anterior, para um total de 3.695 milhões de euros, com quebras em todas as finalidades.

Também no segmento empresarial se verificou uma evolução desfavorável. O montante de novas operações de empréstimos às empresas totalizou 2.748 milhões de euros, menos 937 milhões do que em março. A taxa de juro média subiu 0,26 pontos percentuais, passando de 3,53% para 3,79%.

Segundo o Banco de Portugal, esta variação terá sido influenciada pelo elevado volume de empréstimos com garantia pública registado em março, associado às linhas de crédito criadas para apoio à reconstrução na sequência da tempestade Kristin, o que terá contribuído para uma redução temporária da taxa média nesse mês.

O agravamento verificou-se tanto nas operações de menor dimensão, até 1 milhão de euros, em que a taxa subiu para 3,94%, como nas operações de maior montante, acima desse valor, onde passou para 3,63%.